Império Assírio

19/01/2010 03:57

Assíria

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Assíria foi uma entidade política da Antiguidade, centrada na região do alto rio Tigre, na Mesopotâmia (atual Iraque), e que acabou por dominar impérios regionais por diversas vezes ao longo da história, iniciando esse longo processo na tomada da Babilônia e terminando na reconquista. Recebeu o seu nome a partir de sua capital original, a antiga cidade de Assur (em acádio: Aššur; em árabe: أشور, transl. Aššûr; em hebraico: אַשּׁוּר, transl. Aššûr, transl. Ašur, ou ܐܬܘܪ, transl. Atur). O termo Assíria também pode se referir à região geográfica mais ampla onde estes impérios estavam centrados.

Durante o Antigo Período Assírio (do século XX ao XV a.C.), Assur controlou a maior parte da Alta Mesopotâmia. No Período Assírio Médio (do século XV ao X a.C.) a sua influência declinou, e só foi reconquistado posteriormente, após uma série de conquistas. O Império Neo-Assírio do início da Idade do Ferro (911-612 a.C.) expandiu-se ainda mais, e sob Assurbanipal (c. 668-627 a.C.) controlou, por algumas décadas, todo o Crescente Fértil, bem como o Egito, antes de sucumbir à expansão neo-babilônia e, posteriormente, persa.

Índice

[editar] História antiga

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O Império assírio em 824 a.C. (verde escuro) e 671 a.C. (verde claro).

O primeiro sítio neolítico na Assíria é o de Tell Hassuna, centro da cultura Hassuna, no atual Iraque. Da história arcaica do reino da Assíria pouco se sabe com segurança. De acordo com algumas tradições judaico-cristãs, a cidade de Ashur (também Assur ou Aššur) teria sido fundada por Assur, filho de Sem, que foi deificado por gerações posteriores como o deus padroeiro da cidade. O vale do alto rio Tigre parece ter sido dominado pela Suméria, pela Acádia e pela Babilônia, em seus estágios iniciais. O Império Acádio de Sargão, o Grande alegava abranger os "quatro quartos"; as regiões ao norte da terra de origem acádia eram conhecidos como Subartu. Foi destruída por bárbaros gútios durante o chamado período Gútio, depois foi reconstruída e acabou sendo governada como parte do império da 3ª Dinastia de Ur.

[editar] Antigos reinos e cidades-Estado assírias

As primeiras inscrições de soberanos assírios surgem depois de 2000 a.C.. A Assíria consistia então de diversas cidades-Estado e pequenos reinos semíticos. A fundação da monarquia assíria é creditada tradicionalmente a Zulilu, que teria vivido depois de Bel-kap-kapu (Bel-kapkapi ou Belkabi, c. 1900 a.C.), ancestral de Shalmaneser I.

[editar] Cidade-Estado de Assur

A cidade-Estado de Assur teve grande contato com as cidades do planato da Anatólia. Os assírios fundaram "colônias mercantis" na Capadócia, como por exemplo em Kanesh (atual Kültepe), de 1920 a.C. a 1840 a.C. e de 1798 a.C. a 1740 a.C.. Estas colônias, chamadas karum ("porto", em acádio), eram ligadas a cidades anatólias, embora estivessem separadas fisicamente, e mantivessem um status especial de impostos. Especula-se que teriam surgido com uma tradição comercial longe entre Assur e as cidades anatólias, porém não existem registros arqueológicos ou epigráficos que comprovem este fato. O comércio consistia de metal (talvez chumbo ou estanho, a terminologia usada não é clara) e produtos têxteis da Assíria, que eram trocados por metais preciosos na Anatólia.

Como muitas cidades-Estado comerciais ao longo da história, Assur era, até certo ponto, uma oligarquia, e não uma monarquia. A autoridade era tida como estando com "a Cidade", e a politeia tinha três centros principais de poder - uma assembleia de anciãos, um soberano hereditário e um epônimo. O soberano presidia sobre a assembleia, e executava suas decisões; não era descrito com o termo acádio costumeiramente usado para "rei", šarrum, que era reservado para a divindade padroeira da cidade, Assur, de quem o soberano era o alto sacerdote. O próprio soberano era indicado apenas como o "criado de Assur" (iššiak Assur), onde o termo iššiak, "criado", "camareiro", é por sua vez um empréstimo do sumério ensi(k). O terceiro centro de poder era o epônimo (limmum), que dava seu nome ao ano, de maneira semelhante ao que ocorreria posteriormente com os arcontes atenienses e os cônsules romanos da Antiguidade Clássica. O epônimo era eleito anualmente através de sorteio, e era responsável pela administração econômica da cidade, que incluia a prerrogativa de aprisionar pessoas e confiscar propriedade. A instituição do epônimo, bem como a fórmula iššiak Assur perdurou na forma de vestígios cerimoniais, por toda a história da monarquia assíria.[1]

 

 

[editar] Evolução política

Segundo as teorias bíblicas, os assírios seriam descendentes de Assur, o segundo filho de Sem e neto de Noé. Entretanto, tal teoria carece de maiores elementos confirmadores, de modo que a origem desse povo da Antiguidade tem sido explicada pela arqueologia.

Por volta de 2000 a.C., em meio a um grande movimento de indo-europeus vindos do Cáucaso, os assírios estabeleceram-se na região do alto Tigre. Foram invadidos pelos bárbaros semitas denominados amoritas. Por volta de 1000 a.C., um rei amorita dos assírios estabeleceu controle da maior parte do norte da Mesopotâmia. Seu poder durou pouco por causa da ascensão da Babilônia sob Hamurábi e dos mitanos, povo do oeste, na moderna Síria.

Durante o segundo milênio a.C., os assírios foram dominados seguidamente pelos mitanos e pelos amoritas da Babilônia.

O período de 1363 a 1000 a.C. foi o Médio Império Assírio. Vários reis fortes reconquistaram a independência assíria e, então, começaram a invadir os impérios vizinhos. Os assírios evitaram destruição durante a catástrofe de 1200 a.C., talvez porque já estivessem adotando novas técnicas militares e armas que os velhos reinos não utilizavam. No vácuo político da Idade das Trevas da Antiguidade, os assírios prosperaram. Em 1076 a.C., Tiglatfalasar I alcançou o Mediterrâneo, à oeste.

Já no século XIII a.C., os assírios, sob Tukulti-Ninurta I (1242 a.C. - 1206 a.C.), libertaram-se da Babilônia.

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Relevo assírio representando o transporte de cedro libanês (século VIII a.C.)

Por volta de 1200 a.C., ocorreu um novo grande movimento migratório de indo-europeus. No Egito, foram contidos pelos faraós Meneptah (1235 a.C. - 1224 a.C.) e Ramsés III (1198 a.C. - 1166 a.C.). Na Grécia, geraram um grande processo de dispersão. Na Ásia Menor, causaram o declínio dos hititas. Na Mesopotâmia, geraram a agitação dos arameus, que terminaram por invadir a Babilônia e a Assíria por volta de 1047 a.C.. Relatos da época dizem-nos que os assírios refugiavam-se em "terras inimigas" escapando "da míngua, da fome e da miséria". Os templos ficaram em ruínas, e a interminável guerrilha contra os nômades teria alterado o caráter da Assíria, transformou-a em uma nação de guerreiros cruéis e bem adestrados, com um poderoso exército, que, em pouco tempo, abalou todo o Oriente Médio.

O Novo Império Assírio, de 1000 a.C. a 600 a.C., representou o auge das suas conquistas. O império ia da ponta do Golfo Pérsico, passando ao redor do Crescente Fértil por Damasco, Fenícia, Palestina, e entrava no Egito até Tebas. Sua fronteira norte eram os Montes Tauros da atual Turquia. Com exceção do que tinha sido as culturas minóica (Creta), micênica (Grécia) e hitita (Turquia), todas as áreas de civilizações pré-catastrofe ao